Base, base

fernando pessoa me encara cruelmente como quem intima em silêncio, o silêncio certo de quem sabe da própria autoridade. bernardo soares seria mais apropriado para quem, como eu, compra o pacto da heteronímia tão profundamente que nem me apetece estudá-la. metaconversa? joana do arco me escreve de mim sempre. o poema me foge, a prosa me puxa o tapete, na medida em que me releio e o impulso do dedo que escreveu é o suicídio do texto (veja que texto e dedo são os mesmos – pessoa, identidade, corpo).

da sensação térmica fica a impressão que o aperto dessa semana não deve passar com o passar dos prazos. fernando pessoa me encara, eu o encaro de volta esperando respostas que eu preciso textualizar. quando te cito, você não é homo lattes, então como colocar referências bibliográficas só com teu sobrenome?

o desespero dessa semana só fica, que é o seu próprio papel. imprima a máquina de guerra, releia a árvore do des-empenho, pendure os ternos, desligue os microfones. leia o russo, estude o português, entenda o estadunidense. em greve? eu fico aqui com as minhas pantufas ridículas digitando do jeito errado. três minutos de jornal nacional não me derretem.

grandessíssima base bem feita.

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Uma resposta para “Base, base

eu li e...

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